Desilusão
Acordo com um sentimento ruim. Tenho medo de colocar meus pés no chão. É o sinal de que um dia fatídico está para começar.
Tomo um banho gelado para ver se desperto desse torpor angustioso, mas não resolve. Me olho no espelho e vejo o sinônimo da derrota. É horrível. Um homem de barba, com um olhar triste e acinzentado.
Saio de casa em direção ao meu destino. Chego. O lugar que antes era cor e luz, torna-se um lugar de idéias emaranhadas e confusas. Local este de sentimentos desconexos.
Me sinto frente a frente com a Esfinge me dizendo: "Decifra-me ou devoro-te!". Tenho medo pois ela representa meus sentimentos perante a mim mesmo e, já não sei se consigo decifrá-los.
No meio do dia uma notícia que faz cair por terra (mesmo que por um momento) sonhos, planos e desejos. Será que devia ter posto meus pés no chão? Não sei. Tive coragem de o fazer, mas agora não sinto que tenha mais.
Me inebrio com uma nuvem escura rente à meus olhos. Sufoco-me com essa fumaça e me ensurdeço com gritos dentro de minha cabeça. Qual o caminho? Qual é a voz? Onde? Quem? Sou eu... sim, sou eu.
Só eu tenho o poder de mergulhar nesse oceano revolto que é o meu ser, mas parece que não tenho mais forças. Enxergava um homem forte. Hoje vi apenas um menino triste e acuado.
Ah como eu queria ser grande! Queria poder optar como Raskolnikov em ser ordinário ou extraordinário, porém, para mim não existe opção. Sou o que sou.
Espero a luz e a corda que me salvarão no naufrágio de minha existência.
Autor: Roberto Teixeira da Silva
09/02/2011

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