Caminhos


Ele continua a andar por aqueles caminhos que julgava certos. Por mais que todos ao seu redor tentassem o alertar, ainda acreditava que o melhor era seguir seus instintos. Alto, moreno, com um olhar forte, lábios grossos e cabelos escuros como a noite.

Sim, era um belo homem. Sentia falta do AMOR há algum tempo. Dizia à todos que não estava em busca, mas sabia que era uma grande mentira. Tentava enganar os outros para se enganar, precisava sentir-se forte.

Os caminhos a cada dia tornavam-se mais labirínticos. Mas a cada passagem ele encontrava uma possibilidade. Primeiro encontrou uma pessoa chamada CONSOLO. Sentiu-se forte novamente, acreditou que podia ter de volta toda aquela loucura que sentia. Mera ilusão. O CONSOLO era primo do ACASO, então, pelo ACASO nada aconteceu.

Ficou um pouco entristecido, mas não desistiu. Caminhou mais um pouco e logo encontrou alguém, seu nome era ALEGRIA. Viveu momentos lindos, mas ele não sabia do mais importante, o sobrenome da ALEGRIA era FUGAZ, e assim, rápido como um vento que antecede a chuva essa possibilidade foi embora.

Mais uma vez uma amiga bem conhecida apareceu, a TRISTEZA. Pensou em desistir de andar, mas por um impulso e também por estar cansado de ouvir as lamúrias de sua amiga, correu por muitos dias. Ao sentir-se ofegante, parou para respirar, enxugou seu rosto suado e, avistou de longe uma imagem sinistra, acinzentada. Recuou um pouco, pensou em voltar para casa, mas não tinha andado tanto para desistir no meio do caminho. Prosseguiu e resolveu se apresentar aquela figura sombria. Mas teve uma grande surpresa, ela já o conhecia. Se apresentou à ele como se fosse sua melhor amiga. Era ela, a SOLIDÃO.

Conversaram por horas, até que ele resolveu perguntar se havia algum problema consigo e por que não conseguia encontrar novamente o AMOR. Ela ficou um tanto quanto desconsertada, mas resolveu dizer a verdade. A SOLIDÃO estava apaixonada por aquele jovem.

Ele ficou surpreso e, no mesmo momento pediu à amiga que o permitisse viver sua vida, que o deixasse reconhecer o AMOR, que pudesse ser feliz. Ele não sabia que ela era amiga de um cara muito mal, o EGOISMO. Ele havia a contaminado com a maldade, então seria muito difícil ela desistir, então, o jovem teve uma idéia. Lembrou de todas as pessoas e de tudo que aprendeu pelo caminho. Mostrou a solidão que quando se está apaixonado tem-se que dar um pouquinho de cada coisa que se tem de melhor em si e que não adiantava o prender, ele nunca conseguiria a olhar como ela queria.

Com lágrimas nos olhos ela o deixou partir e disse que nunca o esqueceria, porém, ele deixou claro a ela que as lembranças ficam, mas os sentimentos se transformam. Com muita vontade ele correu e, correu muito. No meio de sua corrida lembrou-se de algo muito importante, o seu sobrenome, LIBERDADE, assim, com toda vontade e esperança, correu em busca não do AMOR ANTIGO, mas do AMOR INESPERADO.

Roberto Teixeira 

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