FANTASMAS


"Fantasmas não existem!" - dizem as mães para os filhos que tem medo de dormir sozinhos a noite em seus quartos. Crescemos com esta ideia: "eles não existem!". No decorrer da vida conhecemos coisas e pessoas que nos ajudam a vencer esses medos. A religião, a fé, ou a crença no real nos leva a acreditar que eles (os fantasmas) estão longe de nós.

O conceito de fantasma é: pessoas que desencarnaram, que por algum motivo, permanecem no nosso plano. Alguns por não encontrarem a devida paz, outros, para assustar e se vingar pela vida que levaram. Eu acredito em fantasmas, mas não nesse conceito. Vou contar uma história e tentar explicar qual é o meu ponto de vista sobre o assunto. 

Havia um garoto que vivia plenamente a sua juventude. Ele não se preocupava com o amor, até que em meio a milhares de pessoas, ele se deparou com uma que chamou sua atenção. Naquele momento ele soube que a queria para si e, queria sentir tudo aquilo que nunca houvera antes se preocupado em sentir. Se aproximou, mas não teve sucesso, porém, não desistiu, arquitetou um plano com uma amiga e a partir daí as coisas começaram a dar certo.

Começaram a falar-se por telefone, o amor foi crescendo, até que um acidente fez com esses dois espíritos se distanciassem. O jovem ficou muito triste, pois achava que estava sendo dispensado. Um mês depois se encontraram e, a marca no rosto, foi a prova de que tudo era verdade. No mesmo dia do encontro fizeram amor pela primeira vez. Isso o preocupou, pois achava que depois não se veriam mais. Ainda não confiava no sentimento, achava que tudo aquilo não podia estar acontecendo, mas ao contrario de seus pensamentos, um tornou-se viciado no outro, e amor antes tão distante tornou-se o sentimento norteador dessas duas vidas.

A cada dia que se passava esse amor crescia mais. Mas dentro da felicidade acabam acontecendo coisas que deixam claro quem são as pessoas e, quando fazemos essas descobertas, não conseguimos lidar com a verdade. Queremos continuar com a imagem de conto de fadas que temos do outro. E foi o que aconteceu. Nesse momento começaram as brigas, gritos, o ciúme, violência. Aquilo que era lindo começou a se quebrar. ficou cheio de rachaduras. Antes que tudo se transformasse em cacos espalhados, decidiram se afastar. O sofrimento foi enorme, muitas palavras foram ditas, mas nada fora resolvido entre eles. Se acovardaram diante de tamanho sentimento, deixaram um ao outro ir embora. Só restara a lembrança.

Eis que um deles (ao que tudo indicava) se vai para sempre. Sua presença não existia mais. Fora sepultado no coração do outro. O jovem que não acreditava no amor sofreu muito, e deu-se conta de que aquele tinha sido o sentimento mais puro e bonito que já havia sentido. 

Passaram-se anos e outro que parecia estar sepultado aparece como um espectro em meio a uma nova história, uma nova vida. O jovem assustou-se, perdeu o ar, seu coração parecia que em poucos momentos sairia pela boca. Mas ele foi forte, não disse uma palavra. Apenas levantou-se e se lembrou das palavras de sua mãe: "Fantasmas não existem!". Deu as costas e partiu com suas lembranças, suas histórias, com seu amor sepultado.

Fantasmas não estão mortos, eles são aqueles que por algum motivo queremos distantes, talvez para nos protegermos de nós mesmos, mas um dia eles retornam,e aí não tem como, temos que nos encarar. O mais difícil não é vencer o medo do fantasma, mas sim, de exumar sentimentos de dentro de nossos corações.

Roberto Teixeira da Silva

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