Meu mundo meu


Hoje acordei me sentindo invejoso ao mesmo tempo que me senti abençoado. Complicado, pois são dois sentimentos tão opostos, porém, eu sou assim. Um turbilhão de emoções. Um menino que tem o olhar da esperança, um homem que desacredita às vezes, um garoto manhoso gritando por atenção, mimado, aquele que ama, o que odeia, o que sente raiva, o que se compadece, o que entende, o que não acredita, o que pede, o que doa, enfim, tenho muito dentro de mim.

Aí você se pergunta - mas ele começou dizendo que sentia inveja, mas de quem ou do quê? - respondo dizendo que senti inveja do mundo ao olhar o céu pela janela. Ele abriga à todos com seus problemas, falhas, encantos e desencantos, suas verdades e mentiras, com seus sonhos e esperanças.

Ele é tão generoso que guarda até aqueles que o maltratam. Fico pensando em uma pessoa que tenha ou tivesse tido a generosidade do Mundo. Não consigo precisar ninguém. Todos os seres tem defeitos. Senti inveja justamente disso, dessa perfeição e compreensão que o Mundo oferece, que sei que nunca ninguém conseguirá se igualar, muito menos eu, que sou tão pequeno.

Mas e a benção do despertar de onde veio? Veio de um outro ser que me faz lembrar todos os dias das minhas imperfeições e querer melhorá-las. Veio do som da respiração que me dá fôlego pra continuar, veio do calor daquele corpo que me enternece, veio do toque me desmonta, do sorriso que hipnotiza e do beijo que me cura.

Ao perceber tudo isso, me dei conta que não posso sentir inveja o Mundo, pois eu dentro da minha pequena realidade, vivo o meu infinito particular.

Roberto Teixeira da Silva

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